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“O Papel dos Interfaces no Contexto Científico e Económico" foi o tema escolhido para o workshop que inicia as comemorações do 30.º aniversário da TecMinho, aquela que é uma das mais antigas estruturas universitárias de transferência de conhecimento em Portugal, e a primeira interface da Universidade do Minho. O evento, decorrido no espaço B-Lounge da Biblioteca, na Universidade do Minho em Guimarães, debateu a visão atual da relevância que as instituições de interface entre a Universidade e Comunidade têm nos ecossistemas de inovação, e perspetivas para o futuro.
Filipe Soutinho (diretor-geral da TecMinho) abriu a sessão, contextualizando o workshop no papel que a TecMinho, como interface, tem vindo a desempenhar ao longo da sua história, "trabalhando e analisando tudo o que é desenvolvido no contexto académico e científico e, refletindo isso para o meio empresarial".
Ligação entre a esfera da Ciência e a esfera da Economia
António Bob dos Santos (administrador da ANI - Agência Nacional de Inovação), relembrou a importância de ligar "a esfera da Ciência e a esfera da Economia, que muitas vezes falam línguas diferentes". Nas suas palavras, "a ANI tem acompanhado a atividade forte e capacitada da TecMinho que atua nesta intermediação entre a ciência e o mercado", essencial para apoiar os investimentos em I&D que em Portugal têm vindo a crescer desde 2015.
As “instituições de interface” promovem a valorização e transferência para o mundo empresarial do conhecimento científico por elas produzido ou produzido nos centros de saber situados mais a montante no ciclo de inovação: gera-se, assim, valor e impacto económico e social. Este foi o mote para o momento de debate entre os oradores do workshop, Professor Eugénio Campos Ferreira (vice-reitor para a Investigação e Inovação da Universidade do Minho e presidente da TecMinho), Professor Eduardo Castro (vice-reitor para a Cooperação Universidade-Sociedade da Universidade de Aveiro), e Professor José Páscoa (vice-reitor para a investigação e Projetos da Universidade da Beira Interior".
Interfaces como "casamenteiras" entre as universidades e as empresas
Para Eduardo Castro (UA), as interfaces têm um desafio que consiste em "vencer a barreira difícil entre a cultura de inovação das universidades e a cultura de inovação mais imediata das empresas. As Universidades têm de transferir o que criam e as empresas necessitam ver que não se pode ser assim tão imediato. Esta é uma visão que está em mudança junto dos académicos e empresas. Temos hoje uma capacidade de relacionamento com empresas diferente, com uma interligação mais completa". Na sua opinião, está a "fazer-se um serviço público, mas que precisa de ajuda na missão de interface".
José Páscoa (UBI) considera que as interfaces podem ser um pouco vistas como "casamenteiras entre as universidades e as empresas, cada um com interesses diferentes na relação". "A intermediação entre quem investiga nas universidades e as empresas é valorizada se for através dos interfaces". E assume que "é importante que as universidades fomentem esta interação entre investigadores e empresas. Só com uma interação forte entre empresas e quem faz investigação a inovação é possível".
Eugénio Ferreira (UMinho), destacou que "a TecMinho ainda tem a mais-valia de ser a instituição a que a Universidade recorre para a valorização da transferência de conhecimento e tecnologia. A TecMinho e a sua abrangência faz sentido no panorama atual da interligação que os interfaces setoriais não podem fazer". Para o presidente de TecMinho, "a aposta das empresas na I&D que pode ser feita nas universidades deverá ser maior. Formar e educar os recursos humanos neste sentido também é importante, e esta também é uma das missões das interfaces como a TecMinho".
O workshop “O Papel dos Interfaces no Contexto Científico e Económico" assinala o arranque das comemorações dos 30 anos da TecMinho, as quais incluirão várias iniciativas que culminarão com o dia de aniversário a 24 de julho de 2020. A TecMinho foi constituída em 24 de Julho de 1990, no seio da Universidade do Minho, sendo a sua primeira Interface, e uma das mais antigas estruturas universitárias de transferência de conhecimento em Portugal.
TecMinho: 30 anos em alguns números
A TecMinho surge como uma interface no ciclo de inovação, apoiando a inserção e ascensão das empresas nacionais em cadeias de valor globais, que promovem a competitividade externa da economia nacional através de atividades de I&D, de valorização e transferência de tecnologia, de formação especializada, de vigilância tecnológica e apoio ao empreendedorismo. Para tal, já preparou mais de 325 patentes, apoiou mais de 725 tecnologias e mais de 125 start-ups, e realizou mais de 2600 cursos de formação para mais de 39 mil formandos. Foi, ainda, responsável pelo suporte da criação de 45 spin-offs e pelo suporte de mais de 500 contratos de projetos I&D com o meio empresarial.
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