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Porquê investir nas áreas de Segurança, Higiene e Ergonomia?

Isabel Loureiro
Especialista da Clínica de Negócios para a área de Segurança e Saúde no Trabalho

 

Segundo a Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, alterada pela Lei n.º 42/2012, de 28 de agosto e Lei n.º 3/2014, de 28 de janeiro, tanto o trabalhador como empregador têm definidos um conjunto de direitos e deveres em termos de  promoção da segurança e saúde no trabalho. Para atingir este nível, a lei estabelece três modalidades de organização dos serviços de segurança e da saúde no trabalho: interno, externo e comum. Quando uma empresa contrata a modalidade de prestação de serviços externos de segurança no trabalho, deve estar ciente que, cumprir a legislação é o requisito mínimo tanto para manter a empresa a funcionar como para preservar a saúde do trabalhador. Este investimento em serviços que permitam unicamente o cumprimento da legislação, pode não ser suficiente quando se tem como objetivo a melhoria da perfomance do sistema[1] que, na maior parte das vezes, é um requisito para fazer face às exigências da competição a nível global e internacionalização. Nestes casos, é necessário efetuar um upgrade de conhecimento para ajudar a resolver problemas ou exigências inesperadas e implementar boas práticas.

Pensar a quem se dirige o produto ou serviço isto é, identificar claramente o mercado-alvo e as suas exigências é uma condição da qualidade. O destinatário pode ser uma multinacional, necessitada de fornecedores para executarem parte do processo produtivo. Normalmente, as multinacionais têm presente que, a perda de imagem associada a uma não-conformidade, como por exemplo: a utilização de uma reagente químico potencialmente cancerígeno, pode ter associado como custo indireto, a perda de milhões de euros. Veja-se o exemplo de uma marca de roupa internacional, quando foi publicitado que os seus fornecedores utilizavam químicos como formaldeído, arilaminas e corantes alergénicos, entre outros. A estratégia para recuperar a confiança dos consumidores foi a publicação detalhada da cadeia de fornecedores assim como, dos resultados de auditorias internas. A consequência mais gravosa para as não conformidades, seria a impossibilidade do fornecimento do produto, por um perído previamente definido; situação que colocaria em risco a sobrevivência do fornecedor. Entenda-se, neste caso, que o pacote de serviços na área de segurança no trabalho, contratado à prestadora, poderia não ter sido suficiente para atingir os objetivos impostos pelos terceiros aos fornecedores. Neste caso, pode ser importante para estes, definir estratégias através da aquisição pontual de conhecimento para resolver determinados problemas inesperados.

De acordo com Parsons (2000), a perfomance do sistema engloba três vertentes fundamentais: a saúde, o bem-estar e o desempenho do trabalhador. O  investimento nestas vertentes pode ser sinónimos de ganhos em produtividade. O caso da BMW espelha esta situação. Efetivamente estudos de Loch et al. (2010), demostraram que através da implementação de medidas, maioritariamente de natureza ergonómica, a empresa teve um retorno de 7% de aumento na produtividade. Em termos de estudo ergonómico de postos de trabalho, esta referência está a ser seguida por várias empresas em Portugal. Neste sentido, as empresas recorrem a serviços pontuais de especialistas para a definição da estratégia a adotar. Nesta área, é importante ainda referir a necessidade de posicionar o risco de natureza ergonómico na Avaliação de Riscos (obrigatória em termos legais) não de uma forma passiva mas, avaliando a existência real de riscos com técnicas e métodos especificos para cada caso. Desta forma, as estratégias a definir pela empresa serão mais eficazes na diminuição do risco com consequente melhoria da perfomance do sistema.

Sem dúvida que a competição a nível global e internacionalização, requer um planeamento de estratégias que minimizem o efeito negativo da crise que afeta a Europa desde 2007. Provavelmente, a saída da crise terá como ponto de partida a mudança de mentalidades. Quando se introduz conceitos como globalização ou internacionalização deverá estar subentendendida a necessidade de investimento, por parte das empresas, em aspetos relacionados com o desenvolvimento de novos produtos e serviços, de processos ou modelos organizacionais, de tecnologia e equipamentos. Este investimento deve ser continuado para produzir efeitos no mais curto período de tempo (Stensson, 2000). Aliado a estes aspetos, é também importante considerar o centro da unidade de trabalho: o trabalhador.

Atualmente, através do investimento informado nas áreas da Segurança do Trabalho, Higiene Ocupacional e Ergonomia/Fatores Humanos (SHE), é possível estimular as empresas a passarem de um estado patogénico (ninguém quer saber enquanto não acontecerem acidentes de trabalho) e/ou reativo (reagimos sempre que um acidente acontece) para um estado gerativo, assente na aquisição de conhecimento, divulgação de informação e promoção do espírito de confiança. Isto demonstrará uma cultura organizacional com valores e missão bem claros.

 
Referências
    

Loch, C.,  Sting, F., Bauer, N. and Mauermann H. (2010). How BMW Is Defusing the Demographic Time Bomb. Harvard business review.

Loureiro, I., Vale, C., Rodrigues, M., Azevedo, R. (2014). Can the external environment affect the occupational safety conditions and unsafety behaviours?. In Arezes, P, Baptista, JS, Barroso, M, Carneiro, P, Cordeiro, P, Costa, N, Melo, R, Miguel, AS & Perestrelo, G (eds.) (2014). Occupational Safety and Hygiene. CRC Press, Taylor & Francis: London, UK. ISBN:978-00144-2

Parsons, K. (2000). Environmental ergonomics: a review of principles, methods and models. Applied Ergonomics, 581-594.

Stensson, A., Larsson, T. Merkt, T., Schuller, J., Williams, R. and Mauer, L. (2000). Industry demands on vehicle development-methods and tools. Vehicle System Dynamics, 33, 202-213.



[1] Entenda-se por sistema, o conjunto das partes tecnológicas, organizacionais e individuais/coletivas que compõem uma empresa e que podem sofrer influência do ambiente interno e externo (Loureiro et al., 2014).

 

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