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Quando os vírus ensinam a combater bactérias
Aprender a combater bactérias observando a atuação de alguns vírus. Foi este o princípio que orientou uma equipa de investigadores da Universidade do Minho, durante o projeto que resultou na síntese das enzimas antimicrobianas. A partir do código genético dos vírus bacteriófagos, os quais produzem partículas capazes de destruir células, foram sintetizadas enzimas que cortam as ligações da parede das bactérias e que provocam a sua destruição.

Já existia conhecimento acerca desta terapia, designada por “terapia fágica”. Utilizada, principalmente, na ex-União Soviética, antes da invenção dos antibióticos, tem vindo a motivar o interesse da comunidade científica, devido ao aumento da resistência das bactérias aos fármacos.

O estudo da equipa liderada por Joana Azeredo incidiu, particularmente, no combate às bactérias classificadas como “gram negativas”, as quais têm motivado preocupação crescente: devido à sua resistência aos antibióticos, têm estado na origem de algumas mortes em hospitais. Sendo a parede celular destas bactérias envolta por uma membrana, foi necessário desenvolver uma estratégia de impermeabilização, para posterior atuação das enzimas.

O trabalho deste grupo de investigadores do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho despertou a atenção de uma empresa farmacêutica alemã, a Lysando, que está a utilizar duas das enzimas patenteadas pelo grupo para desenvolver um produto que possa ser colocado no mercado. Estão já a ser realizados testes em humanos, no âmbito do processo de validação clínica.

A equipa está a trabalhar noutras estratégias de combate a agentes infeciosos. Uma das abordagens terapêuticas procura não os eliminar, antes reduzir-lhes a virulência e torná-los mais sensíveis ao sistema imunitário, o que se traduz na grande vantagem de não desencadear mecanismos de resistência. O trabalho em questão já teve validação pré-clínica, depois de testes feitos em ratinhos.

A equipa liderada por Joana Azeredo tem desenvolvido um trabalho de isolamento e caraterização de diversos vírus que infetam bactérias. O grupo é composto por 15 pessoas, entre as quais se encontram alunos de mestrado e doutoramento, bolseiros de projeto e investigadores doutorados. O financiamento total para os projetos que tem vindo a desenvolver, obtido através da Fundação para a Ciência e Tecnologia, bem como de fundos regionais e europeus, ascende a um milhão e trezentos mil euros.

Professora Joana Azeredo e equipa de investigadores por ela liderada (7 pessoas)

Equipa: Ana Oliveira, Luís Melo, Prsicila Pires, Hugo Oliveira, Joana Azeredo,
Sílvio Santos, Ivone Martins.

 

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